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Mondragon e o UFC PDF Imprimir E-mail
Ter, 05 de Junho de 2012 22:41

Contando com dois atletas entre os melhores do mundo nas Artes Marciais Mistas (MMA, na sigla em inglês), e representado atualmente por Yuri ‘Marajó’ Alcantara e o baiano radicado papa-chibé Lyoto Machida, o Estado pode ter mais um ‘representante’ nos próximos dias com a entrada de Gerônimo ‘Mondragon’ dos Santos no Ultimate Fight Championship. Assim como ‘The Dragon’ Machida, Mondragon nasceu na Bahia (Feira de Santana), mas se apaixonou pela receptividade do povo paraense, e desde 2007 mora em Belém com esposa e filha. ‘Eu amo o Pará. Já me considero paraense faz tempo, essa terra é boa demais’, conta o lutador, que atua nas competições pela categoria peso pesado (acima de 93 kg). Com um cartel de 50 vitórias e 8 derrotas, tendo conseguido os últimos 17 triunfos de forma consecutiva, Mondragon acabou despertando o interesse da cúpula do Ultimate em contar com o lutador para edições futuras do evento.

Seus empresários Samir Nadaf e Walace Davison (os mesmos do lutador Pezão, dentre outros) foram contatados por representantes do UFC, que aguardam somente a assinatura do contrato para confirmarem mais um lutador baiano radicado no Pará como participante do torneio. O número 1 na categoria peso pesado no Brasil acredita que merece figurar entre os melhores lutadores do mundo, e não teme nem Júnior ‘Cigano’, atual detentor do cinturão de sua categoria no UFC. ‘Estou invicto no Brasil há mais de um ano. Estava mais do que na hora de eles (UFC) reconhecerem isso. Estou pronto pro que der e vier, não temo ninguém, nem o Cigano’, afirma Mondragon, do alto de seus 1,91m de altura e 138 kg. Pouco depois de citar o nome do lutador conterrâneo, Mondragon sacou o celular e mostrou para a reportagem o vídeo em que foi derrotado por Cigano, em evento disputado na Bahia em 2008. Apesar do embate ter durado poucos segundos, Mondragon começou bem o primeiro round, mas foi prejudicado com um corte no cílio esquerdo, que obrigou o árbitro a cancelar a luta e dar a vitória ao seu adversário. ‘Eu estava melhor (na luta), poderia ter ganhado. Na verdade, nem considero que perdi, pois eu queria lutar, mas estava sangrando muito e a luta foi cancelada. Quem sabe ele não me dá uma revanche no UFC?’, vislumbra.

Com muita história para contar – este ano faz sete anos desde sua primeira luta- , dos Santos exibe com orgulho os sete cinturões que conquistou, dentre eles os alusivos às competições Iron Man, Jugle Fight, e a sua última aquisição, a do Max Fight, que conquistou no início do mês em São Paulo e serviu como ‘prova final’ para o ingresso no UFC. Mesmo tendo praticamente assegurada sua ida ao Ultimate, Mondragon confirmou sua participação na próxima edição do Iron Man, mesmo com o risco de perder a chance de fazer parte do seleto grupo de atletas do manager de Dana White em caso de derrota. ‘Sei dos riscos, mas nunca fugi de briga e não vai ser agora que eu vou fazer isso, pois eu já havia confirmado minha presença no Iron Man’, conta o lutador, que irá enfrentar João Pereira no próximo dia 15.

Ficha Técnica

Nome: Gêronimo dos Santos
Apelido: Mondragon
Altura: 1.91 m
Local de nascimento: Feira de Santana (BA)
Nascimento: 18/08/1980 (31 anos)
Peso: 120 kg (na pesagem das lutas) e 138kg (peso habitual)
Equipe: Bulldog Fight Team
Período em atividade: 2006 – presente

*Especialidade: Boxe e Muay Thai

Trajetória do Atleta

2006 – Com dificuldades financeiras e tendo que sustentar sua família, Gêronimo dos Santos vivia de ‘bicos’ na sua cidade natal, Feira de Santana (BA), onde atuava, dentre outras ocupações, como segurança de eventos e festas. Certa vez, enquanto trabalhava num evento de MMA (recebia R$ 12 por noite), a luta principal havia acabado em poucos segundos e o atleta vencedor solicitou alguém da plateia para desafiá-lo. Mondragon, incentivado pelo chefe, acabou indo, e mesmo com calça jeans improvisada e sem ser lutador profissional, nocauteou seu oponente e, no dia seguinte, iniciava a preparação para o MMA.

2007 - Depois de iniciar perdendo as duas primeiras lutas, Ele venceu o brasileiro Sidney dos Santos, em Salvador, e depois de perder o combate contra o paraense Walter Broca, engatou uma sequência de seis vitórias seguidas.

2007 e 2008 – - Num dos torneios em que atuou no Pará, foi contratado como segurança pelos irmãos Novelino, que ainda possibilitaram a Mondragon trazer sua família e fixar residência na capital paraense. Depois da morte dos empresários, o lutador decidiu continuar na cidade, e intensificou ainda mais seus treinamentos, com tempo exclusivo para o esporte. Começou na ‘Bulldog Figt Team’, já treinou na academia Machida e atualmente está na Ulysses Pereira.

2009 e 2010 – Conquista os cinturões do Iron Man e do Jungle Fight, consolidando de vez a sua carreira. O Strikeforce, torneio pertencente ao UFC, cogitou contratá-lo durante esse período, mas a derrota para o americano Josh Barnette esfriou o acordo.

2011 e 2012 - Depois de conseguir 17 vitórias seguidas em pouco mais de um ano, Mondragon está bem próximo de ingressar no UFC, torneio de MMA mais importante do planeta. Seus empresários já foram contatados pela cúpula do torneio, e sua estreia no Ultimate pode ser ainda este ano.

Momentos marcantes da carreira

- Demo Fight (2008): ‘Eu e o Júnior Cigano éramos os melhores da Bahia, e a nossa luta valia o cinturão do evento. Fui a última luta dele (Cigano) antes de ir pro UFC. A luta terminou no primeiro round por intervenção médica, mas eu acredito que ainda vou derrotá-lo numa revanche futura no UFC’.

- Midway Super Fight (2008): ‘Na revanche com o Walter Broca (em 2006, havia perdido por submissão), tive o prazer de acabar com a carreira dele. Ele apanhou tanto que pegou 48 pontos na nuca e, logo em seguida, se aposentou. O mais engraçado é que eu ainda lutei com o pé quebrado’.

- Várias competições (2011): ‘Lutei seis lutas seguidas com a mão quebrada. Apliquei xilocaína, utilizada em procedimentos cirúrgicos, para não sentir dor. Mesmo assim, ganhei todas as lutas. Sou ‘cascudo’ mesmo’.

Fonte: Jornal Amazônia